Dona Francisca, a incansável mulher da Associação Beneficente do Alto Alegre

A agente de saúde aposentada e os seus 36 anos de trabalho voluntário no bairro Alto Alegre, em Maracanaú.

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Dona Francisca (de blusa preta, à direita) na oficina de fuxico, com as mulheres da Associação. Foto: Fundação Beto Studart

Está chegando 2018! O clima de natal faz com que muitos de nós procuremos olhar o próximo com mais fraternidade e, na medida do possível, proporcionar aos mais necessitados um momento de festa e alegria.

Mas, existem aqueles que não esperam somente pelas festas de final de ano para trabalhar em prol do benefício alheio. Há quem lute por isso diariamente, durante anos e anos seguidos, para ajudar a quem precisa. Há quem transforme solidariedade em estilo de vida e quem consiga mudar o rumo das pessoas para melhor.

Para ilustrar as palavras acima nós vamos contar a história daqueles que não aceitam desculpas e que não se intimidam com as portas que se fecham. Nossos personagens do “Histórias Inspiradoras” são especiais. Quer saber o por quê? Ao ler a matéria você irá descobrir. Agora é a hora da Dona Francisca, a incansável mulher do Alto Alegre.

O Início

Alto Alegre é um bairro do município de Maracanaú, distante cerca de 28km de Fortaleza. Região com forte vulnerabilidade social e econômica. Dona Francisca, 69 anos, sete filhos, é a idealizadora da Associação Beneficente do Alto Alegre. Mas, o que eles têm em comum?

Tudo começou com um descontentamento, uma inquietação de Dona Francisca. O ano era 1981 e ela trabalhava como agente de saúde. Logo nas primeiras visitas à comunidade, ela percebeu que os idosos e as mulheres da região passavam seus dias sem uma ocupação. Quando terminadas as tarefas domésticas, as mulheres ficavam um turno em casa, ociosas e deprimidas.

Depois de algumas conversas com as moradoras do bairro, ela começou a organizar reuniões. Naquela época não havia opção de lugar para os primeiros encontros, então, a agente de saúde passou a coordenar as rodas de conversa em baixo de um cajueiro. “Não tinha água, não tinha energia e não tinha estrada. A população era muito carente e me doía ver os idosos encostados em um canto de parede, esperando o tempo passar”, afirma Dona Francisca.

Ainda debaixo do cajueiro, Dona Francisca formou os primeiros grupos de crianças, de mães e de idosos. Ela acreditava que, se as dificuldades fossem enfrentadas juntas, seria mais fácil de serem vencidas. E ela não estava errada! “Ah, quando eu me lembro. O início foi com a cara e a coragem, mas, eu já não podia voltar, eu não queria, já fazia parte de mim”, declarou Dona Francisca, hoje aposentada.

Sentindo cada vez mais necessidade de ajudar a comunidade, Dona Francisca começou a correr atrás de amigos e parceiros que pudessem proporcionar uma ajuda. Na sua cabeça os sonhos eram altos. Começou organizando oficinas de com crochê, fuxico, bordado… os resultados pouco a pouco foram aparecendo e, muitas mulheres e idosas, que antes não tinham uma profissão, haviam conquistado uma oportunidade, um ofício!

Em 1989 a Associação ganhou nome e o trabalho continuava crescendo. A incansável Dona Francisca se tornou a representante dos idosos da comunidade e também a pessoa de confiança. Fosse para lutar por um trabalho, fosse para um desabafo, uma palavra amiga, ela estava ali. E, assim, na luta por um canto certo, migrando de lugar em lugar, os trabalhos foram caminhando.

A grande alegria e maior conquista aconteceu em 2000. A Associação, com a ajuda da Fundação Beto Studart e de amigos engajados na causa, conseguiu o tão sonhado espaço próprio. Hoje, as oficinas, conversas, palestras e aulas funcionam na própria Associação.

Momento de oração e conversa na Associação. Foto: Fundação Beto Studart

Com a aposentadoria e o falecimento de seu companheiro, Dona Francisca passou a se dedicar integralmente a Associação. “Estou morando aqui. Uma forma de economizar com vigia e de evitar viagens diárias de onde eu morava para cá. Alguns de meus filhos acham pesado para mim, mas, é o que gosto de fazer”, explica Dona Francisca.

Voluntária por Amor

Durante essa jornada, a Associação contou com muitos amigos. Muitas pessoas que acreditaram nos sonhos de Dona Francisca e apostaram no potencial da comunidade. A assistente social Adriana Oliveira é uma delas. Ainda estudante, Adriana realizou a disciplina de estágio da faculdade na Associação. Orientou idosos, conheceu e conversou sobre os problemas da comunidade e criou um forte vínculo com aquelas pessoas.

Depois de formada,  Adriana retornou para desenvolver o seu trabalho de forma voluntária. “Para mim significa parceria, no sentido de poder ajudar as pessoas. Muitos dos idosos que nos procuram não tem ninguém para conversar, não tem família. Nós damos atenção e orientação. Esclarecer sobre direitos falar sobre aquilo que eles almejam saber”, explica Adriana.

O Futuro

As dificuldades ainda são muitas e na cabeça de Dona Francisca há muito o que se fazer. Planos? Ela tem muitos. Para 2018, ela quer dar continuidade aos cursos, capacitar o maior número de pessoas e produzir bastante. “Eu gostaria de conseguir material para as oficinas de costura. Nós já conseguimos as máquinas e temos até profissionais para ministrar o curso de costura gratuitamente. Nos falta a matéria-prima, como peças de tecidos, linhas, agulhas…

Dona Francisca também informa que qualquer pessoas pode se juntar a ela. Seja para ajudar ou a procura de uma orientação. “Estamos sempre de portas abertas, não precisa ser morador do Alto Alegre, quanto mais gente, mais força para lutar por dias melhores”, relata esperançosa nossa entrevistada.

Serviço

Endereço: Rua Carlos Tertuliano, 460 – Alto Alegre – Maracanaú – Ceará
E-mail: associacaodoaltoalegre@hotmail.com
Telefone: (85) 34846650 / 988591327

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