Grupo Nóis de Teatro e a Arte que valoriza e retrata a periferia

Ao longo do tempo o grupo tornou-se referência em produzir espetáculos que discutem os problemas da juventude pobre. A inspiração vem a partir de suas experiências como moradores de uma área de grande vulnerabilidade social.

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Foto: Reprodução / Facebook

O grupo Nóis de Teatro existe há 15 anos. Está localizado no Grande Bom Jardim, bairro da periferia de Fortaleza. Ao longo do tempo o grupo tornou-se referência em produzir espetáculos que discutem os problemas da juventude pobre. A inspiração vem a partir de suas experiências como moradores de uma área de grande vulnerabilidade social.

Quem nos conta um pouco da história é Altemar di Monteiro, ator e coordenador do grupo. Em 2002, dez adolescentes católicos montaram uma oficina de teatro na igreja do bairro, Granja Portugal, localizado dentro do Grande Bom Jardim. Cabecinhas novas e cheias de imaginação, eles ocuparam o espaço da igreja até 2016, quando passaram a ter sede própria, há duas quadras da antiga sede. A mudança se deu pela necessidade de maior liberdade de criação.

Teatro de Rua

Composto por artistas e ativistas em sua maioria negros, o Nóis carrega ampla experiência estética de luta social onde, a partir do olhar sobre a periferia da cidade, constrói uma significativa ação cultural no Ceará. A sede do grupo funciona como espaço de circulação e produção de bens culturais, lugar onde os 8 participantes realizam noites culturais, oficinas para crianças e música cênica para todas as idades.

A pesquisa estética do grupo tem como raiz um olhar político sobre a sociedade, apoiando-se na democracia dos espaços públicos como lugar de encenação e descobertas. As vertentes do Teatro do Oprimido e do Teatro Épico Dialético e suas interfaces com a performance do ator de rua tem sido o mote para a sua construção poética, refletida no seu atual repertório de espetáculos: “A Granja”, “Sertão.doc”, “Quase Nada”, “Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro”, além das performances anuais da sua intervenção urbana “O Jardim das Flores de Plástico”.

Recentemente o grupo passou pela cidade Natal e hoje estão em João Pessoa para apresentar o espetáculo Todo “Camburão tem um Pouco de Navio Negreiro”. Com mais de cem apresentações e a grande maioria delas na periferia de Fortaleza, os artistas estão felizes com a oportunidade. “Estamos celebrando! Em um momento em que a grande maioria dos grupos de teatro de periferia estão se acabando, com um Ministério da Cultura sucateado e essa enorme dificuldade em produzir cultura nós estarmos nos apresentando é motivo para celebrar. E também para resisitir!”, afirmou o coordenador.

A Campanha

Para comemorar os 15 anos de teatro de rua algumas ações estão sendo organizadas. Uma delas é o lançamento do livro “Caminhares Periféricos – Nóis de Teatro 15 anos”, publicação que fala sobre as tramas poéticas do grupo a partir da periferia de Fortaleza e da montagem da intervenção urbana “O Jardim das Flores de Plástico”.

A segunda seria a temporada do Espetáculo “Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro” em Belo Horizonte-MG, com o intuito de fortalecer os intercâmbios estéticos com coletivos negros e das periferias da cidade, além de contribuir com a difusão do teatro cearense. Para isso está sendo realizada uma campanha de financiamento coletivo. Você pode ajudar através do link.

Apesar do grupo já ter se apresentado em mais de vinte cidades do Brasil, Altemir vislumbra de forma positiva a apresentação em BH. “É mais uma oportunidade de difundir nosso trabalho, abrir horizontes e discutir com outras camadas da sociedade”.

Serviço

Oficina Grupo Nóis de Teatro
Avenida José torres 1211,Granja Portugal
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