Nossa triste realidade

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Antes de ontem, a caminho de casa, me deparei com uma cena que me deixou com muito medo. A dois quarteirões da minha residência muitos carros de polícia, perseguição, militar baleado no rosto e no abdômen, encaminhado para o Instituto Doutor José Frota. Um caos.

Ontem outra cena me roubou a paz. Perseguição policial na Avenida Rogaciano Leite, um assaltante morto, três feridos. Matéria do Jornal O Povo do último dia 6 afirma que mais de 500 pessoas foram expulsas de casa por facções nos últimos 9 meses em Fortaleza.

Então eu fiquei pensando na família do policial militar quando souberam que ele havia sido baleado. Dos três feridos no assalto de hoje, dois são menores. Como estará a mãe desses rapazes? Será que existe regeneração? É muito triste e preocupante a realidade dos jovens pobres da grande Fortaleza. Entra governo e saí governo, as promessas são muitas, os resultados poucos.

Já fui muito otimista e acreditava que seria possível uma grande mudança em Fortaleza, no Ceará e no Brasil. Mas, para que isso aconteça é preciso que se faça política de forma correta e eu me pergunto todos os dias: será que somos realmente capazes?  Para dar início ao questionamento eu poderia dizer que o Brasil é um país corroído pela corrupção, por administrações desastrosas e sobretudo pela cultura do povo de tirar vantagem em tudo.

Será que são essas vantagens que permitem que as facções dominem mais e mais o território? As mesmas que conseguem mandar e desmandar de dentro dos presídios? Há dois dias mais um ônibus foi incendiado no bairro Bom Jardim. Eu tenho medo do que ainda virá, todos os candidatos parecem mudar de lado quando alcançam o poder.

Tenho uma tia que não abre a porta de sua casa depois das 18h e também não assiste mais jornal. As pessoas na capital cearense, vivem com medo, quem mora em área de risco não pode se descuidar do toque de recolher porque correm o risco de uma bala perdida. Os motoristas de taxi e uber compartilham do mesmo sentimento. Não me sinto segura, não me sinto representada e tenho receio à promessas e mudanças radicais.
Coisa boa é quando a gente tem esperança. Esperança de políticos honestos, do extermínio das drogas, do desemprego e de uma população que consiga vislumbrar dias melhores, com mais amor e menos dor. Fé no que está por vir, é possível? Outubro está chegando e o voto  é a única arma que temos.

Márcia Rios – Jornalista
mriosmartins@gmail.com

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