
“Na realidade nós estamos aqui, neste encontro porque sentimos dentro de nós uma forte chamada para difundir no mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia transformada em ações concretas é luz e esperança na conquista da PAZ nas famílias e nas nações. A construção da Paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no Amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em Fraternidade e corresponsabilidade social. A Paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando incentivamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas em busca do bem comum, que aprendemos com nosso Mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. (Jo, 10, 10).
Este é o trecho do último discurso da médica Zilda Arns, Fundadora e Coordenadora Internacional da Pastoral da Criança, que faleceu nessa terça-feira (12), no terremoto que assolou o Haiti. Ela cumpria missão oficial com o Governo Brasileiro e entre seus compromissos estava a participação na Conferência dos Religiosos hatianos e motivação de líderes e voluntários da Pastoral da Criança no Haiti que trabalham com crianças, gestantes e famílias.
De acordo com sua agenda, na manhã da quarta-feira (13), iria realizar palestra nas Conferências Nacionais dos religiosos do Caribe sobre a Pastoral da Criança, sua Metodologia Comunitária de Fé e Vida. Visitaria depois a Cité Soleil, das Irmãs da Caridade de S. Vicente de Paulo e, no dia seguinte, ONGs e outras entidades. No dia 15, seu encontro seria com o Arcebispo de Porto Príncipe, monsenhor Serge Miot, encerrando os compromissos e retornando ao Brasil no sábado (16).
Indicada ao Nobel
Zilda Arns (Forquilhinha-SC 1934 – Porto Príncipe-Haiti 2010) foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz por três vezes. Médica pediatra e sanitarista, dedicou-se a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência. Foi fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, que já beneficiou mais de 2 milhões de crianças no Brasil e estende suas ações por outros países. Também esteve na criação e coordenação da Pastoral da Pessoa Idosa, que promove o acompanhamento mensal de mais de cem mil idosos por doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros. Os dois organismos são vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, atualmente arcebispo emérito de São Paulo e desde sempre grande defensor dos Direitos Humanos, Dra. Zilda recebeu diversos prêmios e títulos. Entre eles o de “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002, e Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha. À Pastoral da Criança também foram concedidos diversos prêmios. Zilda Arns teve teve cinco filhos e nove netos.
* Com informações dos sites da Pastoral da Criança, Itamaraty e agências Folha e Estado.