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NOTÍCIAS

  02/12/2016 
EM DEFESA DA VIDA

Bebês com microcefalia respondem bem ao tratamento e têm o direito de viver, afirma médica que descobriu a relação da zika com a doença

A cientista Adriana Melo diz que apenas 1% dos casos de mulheres infectadas com zika vírus resultam em bebês com microcefalia

Foto:Reprodução / Estação Luz Filmes
A Estação Luz Filmes produziu documentários sobre a vida de crianças com microcefalia, na Paraíba. 

O surto de bebês com microcefalia no Brasil, em 2015, desafiou durante meses autoridades da saúde pública. Uma médica de gestações de alto risco na maternidade pública de Campina Grande, na Paraíba, foi a primeira a comprovar a relação do zika vírus com a doença. Adriana Melo desvendou o mistério sobre as causas da malformação nas crianças recém-nascidas e mudou o rumo das investigações sobre o surto. Um ano depois da descoberta, o País convive com essas crianças e acompanha o desenvolvimento delas. São mães e pais aprendendo novas formas de vivenciar os filhos.

A incidência da doença abriu a discussão sobre a possibilidade de liberar o aborto nesses casos. Na avaliação da médica, bebês com microcefalia respondem bem ao tratamento e têm o direito de viver.

Um menino
O sonho de Alessandra Sousa, acalentado durante 16 anos, era ter um filho “rapaz”. A boa notícia chegou aos cinco meses de gestação. Já com quatro filhas, Alessandra recebeu a confirmação de que seria finalmente mãe de um menino. “Eu pulava, gritava e chorava de alegria. A médica e a enfermeira choraram junto comigo. Tudo que eu queria era sair correndo para contar ao meu marido. Mas, a médica pediu para esperar, porque tinha que conversar comigo. A partir daí, começou meu sofrimento. Meu bebê tinha microcefalia”, recordou.
 
Alessandra, aos três meses de gestação teve zika. Ainda não sabia, naquela ocasião, a relação entre o vírus e a má-formação do cérebro em recém-nascidos. O mundo desabou diante dela, fazendo-a questionar a própria fé. “Eu perguntava a Deus porque ele iria me dá um filho doente, depois de tanto pedir um menino. Eu tava tão agoniada que disse a Ele que não ia querer aquele menino. Iria à maternidade para saber se eu tinha direito de botar ele pra fora”, relatou a mãe de Samuel.
 
A dor dessa mãe foi compartilhada com diversas outras, entre 2015 e 2016. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, o País contabiliza 2,1 casos confirmados de microcefalia. A OMS estima, ainda, que o Brasil deverá ter mil novos casos da doença associados ao zika vírus.
 
Aborto
A epidemia da doença reacendeu o debate em torno da liberação do aborto. O Supremo Tribunal Federal (STF) deve colocar em julgamento, no dia 7 de dezembro de 2016 (mas, com possibilidade de adiamento), uma ação em favor da liberação do aborto em mulheres grávidas que tiveram a zika.

A questão foi levada à Corte em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) da Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep).  A ação alega “perigo atual de dano à saúde provocado pela epidemia” e a “negligência do estado brasileiro na eliminação do vetor”.

Contrário à ação da Anadep, o Movimento em Favor da Vida (Movida) destaca que a questão levantada é preconceituosa e excludente, pois abre precedente para a seleção de gestação, principalmente, em casos como Síndrome de Down ou outros com algum tipo de comprometimento.

Para Adriana Melo, médica na Paraíba, um dos estados que teve o maior número de bebês afetados com lesões neurológicas graves, esse não é o momento para debater a questão do aborto de crianças microcefálicas. Adriana, que trabalha no setor de medicina fetal na maternidade pública do Instituto de Saúde Elpidio Almeida (Isea), em Campina Grande, liderou o grupo que identificou, no Brasil, o vírus zika no líquido amniótico de gestantes com bebês com microcefalia, confirmando a relação do vírus com a doença.
 
A médica explica que, conforme estudos recentes, apenas 1% das mulheres com zika vão ter bebês acometidos pela doença. “Se partir do princípio que todas as mulheres que tiverem zika forem abortar, quer dizer que 99% dos bebês abortados serão normais. Se for esperar que apareçam na ultrassom, isso só vai acontecer com 20 semanas, ou seja, cinco meses”, alertou Adriana.
 
O debate sobre a liberação do aborto para esses casos, avalia Adriana, ainda não está maduro para ser levantado. “Eu não sei se a gente está no ponto de discutir isso. Eu vejo vários debates sobre a interrupção da gestação. Mas cadê os debates sobre o direito dessas crianças nascerem? Cadê? Não vejo”, questiona a médica.
 
E o Samuel?
Alessandra, a mãe que sonhava em ter um menino, questionou a sua capacidade em amar um bebê doente. A criança com quem tanto sonhara, não chegaria como o previsto.  Após dias de sofrimento, ela resolveu ir à maternidade, em Campina Grande, saber se poderia abortar. Chegando ao local, encontrou a enfermeira que conhecia a sua situação.
 
“Ela me chamou e disse que tinha acabado de nascer uma menina com microcefalia. Perguntou se eu queria ver. No primeiro momento, eu não queria. Mas, fui. Quando peguei a menina, foi o mesmo que sentir o Samuel nos meus braços. Foi uma emoção muito grande. Meu marido disse: - olha, a gente não queria um menino? Então vamos aceitar nosso filho, do jeito que Deus permitir. Aí, me levantei e comecei a preparar as coisas do Samuel. Eu vejo que ele é muito esperto. Não me arrependo de nada. Sei que parte de mim queria abortar, mas a outra parte não queria”, afirma Alessandra.
 
Adriana Melo esclarece que o conhecimento atual sobre a zika é que o vírus tem grande influência nos neurônios. “Ele tem um processo de parada de migração. Então os neurônios vão seguindo um caminho e de repente eles desorientam. A parte motora está muito prejudicada, mas a parte sensitiva está normal. O que a gente espera hoje é que esses bebês entendam o que está acontecendo, que eles reajam e que interajam”.
 
Samuel completou um ano, em novembro. O surpreendente desenvolvimento dele chamou a atenção da produtora Estação Luz Filmes, que produziu documentários sobre a vida de crianças com microcefalia. Confira, abaixo, o vídeo.
 
União
De acordo com a produtora Estação Luz Filmes, a intenção dos documentários é mostrar os exemplos positivos. “Não adianta culpar alguém. Temos que ver o que podemos fazer pra melhorar a situação. A gente deve se unir para que mães e filhos tenham uma vida digna. É preciso união, essa é nossa intenção”, comentou a produtora.

Última atualização: 05/12/2016 às 09:08:21
 

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