Exposição em homenagem a Zé Tarcísio abre nesta quinta-feira (26), no Dragão do Mar

Mostra ocupará todo o Museu de Arte Contemporânea com mais de 100 trabalhos do artista visual cearense

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Obra Golpe – 1973. Foto: Luíz Alves

Nesta quinta-feira (26), às 18h, no Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC|CE), será aberta a exposição “ZÉ: Acervo de Experiências Vitais”, em homenagem ao cearense Zé Tarcísio. A exposição com seu caráter panorâmico ocupará todo o museu, reunindo mais de 100 trabalhos, entre pinturas, esculturas, instalações, fotos e vídeos. A exposição segue em cartaz até novembro, com visitações gratuitas, de terça a sexta, das 9h às 19h (com último acesso até 18h30), e sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com último acesso até 20h30).

Com curadoria de Bitu Cassundé e assistência de Cecília Andrade, a exposição decorre de um longo projeto de pesquisa, iniciado há quatro anos. Gerente do MAC|CE, Cassundé afirma que a ideia surgiu por ocasião da exposição “Carneiro”, que ocupou o Museu de Arte Contemporânea do Ceará em 2014, com uma sala em homenagem ao artista: “A partir daí, comecei a me aproximar mais do trabalho do Zé e fazer visitas constantes ao seu ateliê, o que despertou a minha curiosidade sobre alguns de seus trabalhos que estavam guardados há muito tempo, em mapotecas, alguns deles inéditos no Ceará e outros nunca apresentados”.

Segundo Cassundé, a inspiração para o recorte vem da afirmação do próprio homenageado, durante entrevista, em 1969: “Tudo que vivi se incorporou, automaticamente, ao meu acervo de experiências vitais, estando de uma ou outra forma, expresso em meus trabalhos”. ZÉ: Acervo de Experiências Vitais traz obras do acervo do artista, de coleções particulares e de importantes acervos institucionais como o do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, da Coleção do Museu de Arte Contemporânea do Ceará e do Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil.

Conforme os curadores, a exposição não se propõe a fazer uma retrospectiva, e sim apresentar uma mostra panorâmica que aponta para alguns eixos importantes no trabalho de Zé Tarcísio. As obras não estão organizadas de forma cronológica, a fim de não fragmentá-las pelo tempo. Ao contrário, a disposição das obras foi concebida para potencializar a vitalidade dos trabalhos e a sua capacidade de resgatar a tradição para refletir sobre o contemporâneo. Os trabalhos são agrupados por questões que se vinculam a signos muito recorrentes, a exemplo das pedras, apresentadas como metáfora do corpo e da paisagem.

Trata-se de um conjunto de trabalhos que atravessam as questões do corpo e se projetam nas questões políticas que discutem o entorno, a ecologia, a preservação das dunas e uma natureza envolta pelo desejo. Algumas delas, criadas entre o final da década de 60 e o início da década de 70, apresentam grande carga política, como “Golpe” (1973), quando o artista esteve ligado a movimentos políticos e chegou a ter trabalhos apreendidos pela ditadura.

Estão representadas várias séries do premiado artista, que iniciou sua atuação nas artes nos anos 1960 e segue produtivo até a atualidade, como Loteamentos, Kaosmos, Nativos, entre outras. Constam trabalhos de técnicas e linguagens variadas, como desenho, pintura, gravura e escultura, apontando a versatilidade de Zé Tarcísio em seus 57 anos de produção em artes. “O talento de Zé Tarcísio não pode ser limitado. Embora a exposição privilegie o eixo das artes visuais, o recorte evidencia o perfil multifacetado do artista, que transita com muita fluidez entre diferentes linguagens artísticas, como cinema, teatro, cenografia e artes plásticas”, afirma a curadora assistente Cecília Andrade.

Entre os destaques da exposição, as esculturas “Movimento I” (1974), mais conhecida como “Regador”, e “Silêncio” (1973), ambas pertencentes ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Na passagem entre os dois pisos do Museu, uma grande instalação formada por ex-votos, que Zé Tarcísio reúne desde os anos 50, toma a forma de instalação, fazendo referência à relação com o sagrado e à questão da graça alcançada. Em outra sala, ganha destaque sua passagem pela figuração pop, entre as décadas de 60 e 70. A mostra exibe ainda um percurso audiovisual da construção do projeto e da composição curatorial, permitindo ao público adentrar na instância mais processual de elaboração da exposição.

Ao longo da mostra, o público também pode conferir a reprodução de trechos de entrevistas dadas por Zé Tarcísio à imprensa. As falas do artista são utilizadas como guia para o percurso. Até novembro, os visitantes poderão ainda participar de oficinas e palestras que abordarão, através da relação de Zé Tarcísio com outras linguagens, o seu fazer artístico.

Sobre Zé Tarcísio

José Tarcísio Ramos é pintor, artista intermídia, gravador, escultor, cenógrafo e figurinista. Nascido em 1941 em Fortaleza, inicia seus primeiros trabalhos aos 19 anos, no pensar artístico. No ano seguinte, viaja para o Rio de Janeiro, depois de ter conhecido Antônio Bandeira. Frequenta, por dois anos, o Curso Livre de Pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1971, é comissionado por Walmir Ayala para ser um dos representantes brasileiros na VII Bienal de Paris. E, 1974, expondo no XXIII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, ganha o prêmio nacional: uma viagem ao exterior. Em 1976, tem seu trabalho Regando Pedras reproduzido em selo pela ECT.

Em 1982, monta seu ateliê nos arredores do Centro Dragão do Mar. No ano seguinte, cria a Por Hipótese Produções. A década de 90 rende-lhe uma homenagem do Museu de Arte da Universidade do Ceará, o MAUC, por 30 anos de atividades artísticas e uma temporada na Europa e em Cuba. Em 2001, recebe a Medalha Boticário Ferreira, da Câmara Municipal de Fortaleza. No ano de 2002 Realiza oficinas de criatividade para Projeto de Interiorização na Escola Pública no Ceará. Já em 2003 retorna ao velho mundo, com algumas atividades: integra o júri da III Bienal Internacional de Arte Jovem, em Vila Verde , Portugal. Realiza sua primeira obra pública na Europa, na Escola Profissionalizante. Promove oficinas culturais para: crianças adolescentes na mesma cidade, e para 500 participantes no Convívio Nacional do Movimento Encontro de Jovens SHALOM em Montemor-o-Velho, em Coimbra, Portugal.

Durante o ano de 2004 realiza oficinas para jovens no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. No ano de 2005 com o prêmio do I Edital de Incentivo as Artes do Estado do Ceará, promovido pela SECULT, edita no formato de cd-rom seu arquivo geral. No mesmo ano retorna à Europa. Integra o júri na VI Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde, Portugal. Apresenta o arquivo na Escola de Belas Artes da Universidade do Porto, Portugal.

Exposição “Promessa paga – Pinturas de José Tarcísio” no espaço Cultural correios de Fortaleza – 2006, “Viva a arte viva do povo brasileiro” – Museu Afro-Brasil de São Paulo – 2006/2007, Bienal São Paulo/Valencia – Encuentro Entre dos Mares – Espanha/2007, Exposição Caminhos da Serigrafia – Museu do Ceará 2009. Elos da lusofonia, Museu Histórico Nacional – Rio de Janeiro e Museu Afro Brasil, São Paulo – 2010.

2011 Elos da Lusofonia – curadoria Emanoel Araujo Museu Histórico Nacional – RIO Museu Afro Brasil – São Paulo Deuses D’ África-Visualidades brasileiras – Curadoria Emanoel Araujo – Museu Afro Brasil – São Paulo. Homenagem sala especial – Salão de Abril – Curadoria Ricardo Resende – Fortaleza CE.

Serviço:

Abertura da exposição “Zé: acervo de experiências vitais”
Data: 26 de julho de 2018
Hora: 18h
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará
Acesso gratuito
Visitações até novembro de 2018, de terça a sexta, das 9h às 19h (com último acesso até 18h30), e sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com último acesso até 20h30).

Com informações da Assessoria de Comunicação

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